A pele conta o que o corpo ainda não disse

Por Dra. Joana Costa, OM 48985, Diretora Clínica da B-Life

A pele é o primeiro órgão a manifestar que algo, no organismo, não está bem. Muito antes de as análises acusarem um valor fora do normal, antes de os exames de imagem revelarem qualquer alteração, e antes mesmo de o doente conseguir descrever o que sente, a pele já está a sinalizar. Por ser a principal interface entre o organismo e o ambiente, está permanentemente exposta a agressores externos, mas é também um espelho do que acontece por dentro. As alterações cutâneas raramente são apenas um problema de pele. Com frequência, são a expressão visível de um desequilíbrio mais profundo: metabólico, inflamatório, hormonal. Uma luminosidade que se perde em poucos meses. Rugas que avançam a um ritmo desproporcional à idade. Estes não são fenómenos cosméticos. São sinais clínicos precoces que merecem uma leitura atenta e rigorosa.

Na medicina da longevidade costumamos dizer que envelhecemos por dentro antes de envelhecermos por fora. Há verdade nessa frase, mas o corpo não é tão linear quanto ela sugere. Os mecanismos biológicos que envelhecem o fígado, o coração e o cérebro são em grande parte os mesmos que envelhecem a pele. Quando uma célula da pele perde eficiência mitocondrial, é provável que outras células do organismo estejam também a perder. Quando a inflamação crónica de baixo grau se instala, é a pele que muitas vezes denuncia primeiro, antes de aparecer no sangue.

Foi por isso que recebemos com particular interesse, nas nossas instalações em Cascais, o lançamento da nova plataforma Absolue Longevity MD da Lancôme. Uma das casas de skincare mais reconhecidas do mundo escolheu a B-Life como palco para uma das suas linhas mais importantes dos últimos anos. A escolha diz alguma coisa sobre o caminho que a medicina da longevidade tem feito em Portugal e sobre o lugar que esta clínica ocupa nesse caminho. Trata-se de uma linha cosmética desenvolvida pelo grupo da L’Oréal que aborda diretamente os mecanismos celulares que atuam no envelhecimento, tais como as disfunções mitocondriais, as alterações de sinalização celular e a inflamação crónica. Em termos de discurso científico, o que essa marca está a fazer é o que nós fazemos diariamente em medicina da longevidade. Deixar de tratar sintomas. Começar a agir sobre causas.

Durante décadas, a pele foi tratada como uma questão de superfície. A ciência atual mostra que é o maior órgão do corpo, com função imunológica, endócrina, sensorial e de barreira. As alterações que vemos no espelho durante uma transição hormonal, como secura, perda de elasticidade, alterações de pigmentação ou queda de cabelo, não são consequência apenas da pele. São consequência sistémica do efeito da baixa hormonal e imuno senescência associada à idade.  

A pessoa que chega à consulta com queixa de pele baça, ou de envelhecimento acelerado, raramente precisa apenas de um creme. Precisa de uma leitura mais ampla. Como está o sono? E o stress? Existe algum desequilíbrio metabólico ou hormonal ? Os marcadores hormonais estão onde deveriam estar? A microbiota intestinal está em equilíbrio? Existem deficiências nutricionais, como ferro, vitamina D, zinco ou ómega-3? O resultado dessa leitura é o que orienta o cuidado. Por vezes a resposta inclui cosmética avançada. Outras vezes inclui acompanhamento hormonal, ajustes alimentares ou intervenção sobre o sono. Em quase todos os casos, inclui mais do que uma destas dimensões.

Existem várias formas de fazer este tipo de leitura integrada. No nosso trabalho clínico, o Longevity Check-up é uma das ferramentas que utilizamos para cruzar informação hormonal, metabólica e de imagiologia, e perceber onde a pele entra no quadro maior de cada pessoa. Não é a única abordagem possível. É a que escolhemos quando faz sentido começar uma conversa mais profunda.

O que aprendemos ao longo dos anos a fazer este trabalho, é que pele e corpo nunca devem ser separados. A pele é mensageira. E a mensagem, quando lida cedo, abre tempo para responder.

Se algo na sua pele tem mudado de forma que não consegue explicar apenas pelo tempo, vale a pena uma investigação mais profunda. A Care Manager da B-Life pode ajudar a perceber por onde começar.

FAQ

Quando uma alteração na pele deve ser investigada clinicamente, e não apenas com cuidados cosméticos?

Quando a mudança acontece de forma relativamente rápida, sem uma causa externa óbvia — como uma nova exposição solar ou alergia conhecida —, vale aprofundar a investigação. Perda de luminosidade progressiva, rugas que avançam além do esperado para a idade, queda de cabelo difusa ou alterações de pigmentação sem causa aparente são sinais que podem indicar um desequilíbrio hormonal, metabólico ou inflamatório. Nesses casos, um creme de alta performance pode complementar o tratamento, mas dificilmente resolve a causa.

Quais exames ajudam a entender o que está por trás do envelhecimento da pele?

Depende do quadro de cada pessoa, mas os marcadores mais frequentemente avaliados incluem perfil hormonal completo (incluindo estrogénio, testosterona, DHEA e hormônios da tireoide), marcadores inflamatórios como PCR-ultrassensível, ferritina, vitamina D, zinco e ômega-3. Em alguns casos, avalia-se também a saúde intestinal, dado o papel da microbiota na função de barreira da pele e na regulação imunológica. O Longevity Check-up que realizamos na B-Life cruza essas informações com dados de imagiologia e composição corporal, o que permite uma leitura mais integrada.

A menopausa e a andropausa realmente afetam a pele de forma significativa?

Sim, e de forma bastante direta. A queda de estrogênio reduz a produção de colágeno e a capacidade de retenção de água da pele, o que acelera a perda de elasticidade e aumenta a secura. Nos homens, a redução da testosterona tem efeito semelhante, embora com cronologia diferente. Estas alterações não são cosméticas — são consequências sistémicas de uma transição hormonal que merece acompanhamento médico, não apenas dermatológico.

O que é o sistema glinfático e por que o sono interfere na saúde da pele?

O sistema glinfático é o mecanismo de limpeza celular que o cérebro ativa durante o sono profundo para remover resíduos metabólicos. Quando o sono é encurtado ou fragmentado cronicamente, esse processo fica incompleto — e o resultado aparece também na pele: aumento da inflamação de baixo grau, maior stress oxidativo e menor capacidade de regeneração celular. Não é por acaso que a privação de sono figura entre os aceleradores de envelhecimento cutâneo mais documentados na literatura científica atual.

A B-Life trabalha em conjunto com dermatologistas?

Sim. A nossa abordagem é de medicina integrativa — não substitui o dermatologista, complementa. Quando identificamos um desequilíbrio interno que está a manifestar-se na pele, trabalhamos em paralelo com os especialistas que o paciente já acompanha ou fazemos os encaminhamentos necessários. O nosso papel é garantir que a leitura cutânea não fique isolada do contexto sistémico de cada pessoa.

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